Singularidade tecnológica: O que eu tenho a ver com isso?

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Por: Newton Duarte – Diretor de Possibilidades / Potentiality Director at Aliger Intelligence of Things

Singularidade é um termo que já é utilizado pelas ciências há muito tempo, mais corriqueiramente pela ciência física. A sua aplicabilidade se refere às situações em que o raciocínio humano não consegue mais, digamos assim, conceber a estrutura e o funcionamento de certos fenômenos naturais e exprimi-los por meio de teoremas e equações matemáticas plausíveis.

O exemplo mais clássico do seu uso pela física moderna é no estudo da composição do interior dos buracos negros. Nesse extremo físico de alta densidade, é impossível descrever, com algum grau de certeza, qual é o comportamento das leis naturais conhecidas.

Sendo assim, podemos entender que o uso do termo singularidade exprime certa incapacidade humana de compreender e prever o funcionamento de um fenômeno.

Com o tempo, os futurologistas passaram a lançar mão dessa ideia científica para exprimir as suas previsões sobre um determinado momento histórico, não muito distante, em que ocorrerá a superação do raciocínio humano pela tecnologia.

Grosso modo, é sobre isso que a singularidade tecnológica diz respeito. Um provável ponto na história, em que as máquinas, ou melhor, a inteligência artificial, vai extrapolar o nível de conhecimento e habilidades cognitivas dos seres humanos.

Adivinhações acerca do futuro não são área de competência do estudo científico. O máximo que pesquisadores se arriscam a fazer é emitir opiniões sobre probabilidades que sejam mais ou menos embasadas.

No entanto, é curioso e até mesmo impressionante constatar o consenso existente em torno do surgimento da singularidade tecnológica. Não são poucos os cientistas que são taxativos ao afirmar que não se trata de uma questão de “se” um dia a singularidade surgir, mas sim, uma questão de “quando” ela vai ocorrer.

Segundo esses pesquisadores, o avanço acelerado da tecnologia e sua integração com as mais variadas áreas do conhecimento levaram, inevitavelmente, à concretização desse momento ímpar da história.

À medida que o progresso científico avança em velocidades exponenciais a cada ano, também fica cada vez mais difícil para os cientistas teóricos e futurologistas conceber até que ponto essa revolução tecnológica pode influenciar nossa espécie.

Todo o nosso estilo de vida como o conhecemos, nossa civilização, nossas leis, enfim, o próprio conceito sobre o que é a humanidade está passível de ser revisto com o advento da singularidade.

Apesar de certo grau de consenso entre a comunidade científica, é preciso deixar claro que isso tudo é apenas uma teoria. Existem pesquisadores que afirmam não acreditar na possibilidade da existência de algo como a singularidade. O máximo que visualizam para o futuro são maiores capacidades de velocidades de processamento.

Para estes, ainda que assumam a plausibilidade teórica do tema, é mais provável que o desenvolvimento da tecnologia encontre obstáculos intransponíveis que inviabilizam o seu desenvolvimento até esse estágio de singularidade. A baixa demanda por sistemas mais avançados poderia desestimular o investimento em pesquisas relacionadas à IA (Inteligência Artificial), por exemplo.

Também é possível que outras catástrofes de ordem econômica ou política, como guerras e problemas ambientais, destruam a humanidade e a sua ordem social antes mesmo que seja possível algo como a singularidade surgir. Enfim, segundo esses pesquisadores, existe uma grande diferença entre acreditar que algo é possível no campo das ideias e sua aplicabilidade prática.

A simples formulação teórica não significa que esta seja possível no mundo real. Frente a tantas variáveis que podem interferir no desenvolvimento e posterior surgimento da singularidade tecnológica, a sua não existência também se torna algo plausível.

Como é a história do conhecimento?

A curiosidade sempre foi o motor propulsor do conhecimento humano. A observação dos fenômenos da natureza gera indagações a respeito da finalidade da vida e a busca por um senso de propósito.

O espanto ante ao desconhecido levou o ser humano à formulação de explicações para os fenômenos que o cercava. A criação de mitos foi, durante muito tempo, a principal maneira pela qual se obtinham explicações e se encontrava propósito ante essas inquietações próprias do seu ser.

Na antiguidade clássica, com o desenvolvimento da filosofia, houve a elevação do corpo de conhecimentos a um novo patamar, mesmo que ainda impregnado pelos mitos de outrora. Entre os pensadores dessa era, muitos são citados até hoje pelas suas contribuições à física, astronomia, matemática e filosofia. São eles: Tales de Mileto, Sócrates, Platão e Aristóteles.

Ao longo da história, o avanço produtivo e as necessidades tecnológicas também impulsionaram o desenvolvimento das ciências. Já na Europa, o Iluminismo surge como alternativa às visões míticas do universo e dão lugar a uma cosmologia mais fundamentada na razão.

Expoente máxima desse momento histórico é a descrição do discurso sobre o método de René Descartes e o surgimento das enciclopédias, que procuravam condensar e divulgar os conhecimentos da época ao máximo de pessoas.

Nos séculos subsequentes, o progresso tecnológico e científico tornou-se a principal característica do desenvolvimento humano. Desde de surgimento da ciência no século VI com Tales de Mileto, até os avanços de Galileu Galilei, Isaac Newton, Alexander Fleming e Einstein, mudanças profundas em termos econômicos e políticos surgiram nos mais diferentes países, graças à explosão tecnológica da revolução industrial e o desenvolvimento do livre mercado.

Em 1950, o matemático húngaro John Von Neumann incutiu a ideia de singularidade pela primeira vez. Sendo um dos criadores do computador e também um dos maiores cientistas do século, afirmava em seu discurso que as tecnologias poderiam evoluir até alcançarem um certo ponto em que transformariam por completo toda a evolução da espécie humana. Com a singularidade, as barreiras tecnológicas e limitações científicas de nossa era vão ficar renegadas a um passado remoto.

A rápida evolução das mais variadas tecnologias é um argumento corriqueiro, que se usa para embasar a crença de que a humanidade (um dia) possa mesmo chegar a esse ponto de inflexão. Está nítida diante de nossos olhos o desenrolar dessa evolução.

Nesse sentido, somos todos testemunhas do embrião do que pode no futuro a se tornar a singularidade. O engenheiro Gordon Moore, é um dos criadores da Intel e também um grande defensor dessa tese. Você, provavelmente, já deve ter ouvido falar da famosa lei de Moore, também criada por ele.

Essa lei demonstra a progressão geométrica presente na velocidade com que os processadores ampliam a sua capacidade, praticamente dobrando a cada 18 meses. Isso representa um ganho tecnológico, que parte de um ponto e tende sem limitações, ao infinito.

Mas não é apenas na computação em que o fenômeno da lei de Moore é observado. Áreas como a genética, a robótica e nanotecnologia também têm um ritmo de desenvolvimento muito próximo. Outra característica dessa evolução é que elas se alimentam das descobertas umas das outras, ampliando ainda mais o espaço para as inovações.

Mas quais são as implicações desse avanço? Apenas para se ter uma ideia do tamanho do fenômeno com que estamos lidando, o inventor e escritor Ray Kurzweil disse em seu livro The Singularity is Near ( “A Singularidade está próxima”) que o crescimento tecnológico do século 21 será equivalente a 20 mil anos de progresso, devido à taxa de exponencial de desenvolvimento.

Quais são os motores do progresso?

Se algo como a singularidade acontecer em um futuro mais próximo ou distante, já podemos observar quais as sementes que possibilitaram esse fenômeno. O desenvolvimento da computação cognitiva, da inteligência artificial e do aprendizado de máquina estão no cerne das inovações que observamos no mundo hoje.

É a partir desses conceitos que a ciência traçará o seu caminho rumo à superação da inteligência humana, pelas máquinas. Sendo assim, é fundamental que você conheça o conceito por trás de todas essas tecnologias. Apenas entendendo como funcionam essas tecnologias é que você conseguirá compreender como algo como a singularidade é possível. Vamos lá?

Inteligência artificial

Definimos a inteligência artificial como um ramo da ciência da computação que busca construir sistemas que tem como objetivo imitar a inteligência humana, mais especificamente a nossa capacidade de raciocínio e resolução de problemas.

Essa definição descreve a forma como as máquinas assimilam processos complexos, como a capacidade de autocorreção, raciocínio e aprendizado. Essa é a grande diferença entre a linguagem de programação comum, em que apenas são descritos sequências lógicas para execução das habilidades almejadas pela inteligência artificial.

Em 1956, em uma apresentação na DC — Dartmouth Conference, John McCarthy se tornou o primeiro cientista a descrever a ideia de inteligência artificial. A partir de então, a IA passou a ser utilizada como sinônimo para outras inovações, como a robótica, automação processual e Big Data, desenvolvendo o conceito maior denominado de indústria 4.0.

As tarefas desempenhadas pela IA é que permitem a sua diferenciação, tornando possível a identificação de padrões em conjuntos de dados com capacidade superior aos dos seres humanos.

As aplicações dessa tecnologia são muito variadas, podendo também ser classificada como inteligência artificial forte e fraco, de acordo com certos padrões. Essa categorização se baseia principalmente sobre qual o tipo de aplicação possível dos sistemas inteligentes.

Inteligência artificial forte, se refere à presença de habilidades humanas ainda mais avançadas, como os sistemas de computação cognitiva, que veremos adiante. O caso clássico do computador Watson da IBM, que é utilizado no auxílio a diagnósticos na indústria médica, é o principal exemplo.

Já inteligência artificial fraca, abrange sistemas avançados, porém, com menor capacidade de processamento e que apenas replicam raciocínios sem, de fato, ser autoconscientes. Essa é a tecnologia mais disseminada dos sistemas inteligentes, presentes no mundo hoje. A evolução da IA, principalmente a IA forte, é o principal motor da singularidade, que engatinha diante dos nossos olhos.

Aprendizado de máquina

O aprendizado de máquina ou machine learning, é um ramo de estudo da inteligência artificial que permite — sem programação prévia — que os computadores aprimorem seu algoritmo (instruções lógicas orientadas à solução de problemas) de acordo com o seu ambiente (alimentação de dados). O conceito de machine learning busca dotar aos computadores, ou ao menos imitar a capacidade de raciocínio humana.

As aplicações do aprendizado de máquinas já estão presentes em nosso dia a dia. O desenvolvimento de veículos autônomos, como os da UBER e do Google, e as sugestões diárias de ofertas que você recebe de empresas como Netflix e Amazon são os exemplos mais visíveis do seu funcionamento.

As ofertas são sugeridas com base no raciocínio que sistemas desenvolvem de acordo com as suas sobre preferências. Já nos veículos autônomos, a tecnologia que os orienta em seus trajetos, aprende e toma decisões conforme as exigências do ambiente. A evolução de máquinas pensantes, com habilidade de raciocínio, corroboram com o desenvolvimento da singularidade.

Computação cognitiva

A computação cognitiva vai além da simples programação, no qual a principal função da máquina é obedecer a comandos algoritmos preestabelecidos. Seu objetivo é a busca pela replicação em máquinas e das capacidades interpessoais humanas aplicadas ao uso de informações. Antigamente o homem tinha que aprender a linguagem da máquina, hoje a máquina fala, aprende e interage utilizando a linguagem humana, estando apta a interpretar os sentidos.

Na prática, a computação cognitiva permite que sistemas tenham a habilidade de raciocínio similar ao de um ser humano. Essas habilidades permitem a execução de tarefas de cálculos complexos. O computador Watson desenvolvido pela IBM, utiliza dessa tecnologia para analisar grandes quantidades de dados e executar diagnósticos médicos.

Assim, ele consegue auxiliar a medicina a ampliar a eficiência de tratamentos. Grandes bancos e hospitais já testam diferentes aplicações para computação cognitiva, e seu desenvolvimento é um dos motores que impulsionam a possibilidade do surgimento de algo como a singularidade.

O que podemos esperar do futuro?

Diante de tantas mudanças e avanços que observamos ao longo tempo, é praticamente impossível prever o futuro e o caminho que a singularidade vai trilhar. O que é certo, porém, é continuidade dos avanços em diferentes áreas e a interação entre elas.

O desenvolvimento tecnológico durará o rumo dos diferentes mercados e, consequentemente, o funcionamento das sociedades ao redor do mundo. O futuro já foi bastante antecipado por Isaac Asimov, Alvin Tofler e até pelo cético Peter Drucker. Independentemente da linha de pensamento difundida por cada um deles, todos foram precisos no que tange ao uso de habilidades das máquinas para elas fazerem o que fazem melhor que nós, nos legando uma nova dimensão no relacionamento humano, e quem sabe até uma nova virada antropológica.

Telecomunicações

Vernor Vinge, escritor americano, disse que a ampliação da capacidade de comunicação e transmissão de informações gera na humanidade um ganho de inteligência. Esse desenvolvimento aplicado à transmissão de informações pode levar ao surgimento de maneiras de se comunicar muito diferentes das que experimentamos hoje.

A história testemunha a favor dessa visão, basta observar o grande salto existente entre as pinturas rupestres, papiros, pergaminhos, o uso de cartas e seu transporte por navios e pombos correios, até chegarmos ao surgimento da imprensa e o uso atual do telefone celular, voip, e-mail, aplicativos de mensagem instantânea, vídeo transmissão, livros digitais etc.

É importante notar a forma como essas mudanças aconteceram. Séculos transcorreram onde o uso de cartas era o principal meio de comunicação. Já do telefone aos aplicativos de mensagens, passaram-se apenas algumas décadas. Esse é um exemplo notório do ganho em velocidade das inovações tecnológicas. O meu amigo e Prof. Carlos Nepomuceno, o Nepô, retrata a relação dos fatos históricos, com a demografia e a contemporaneidade tecnológica com precisão em seu livro recém publicado Administração 3.0.

Interação Homem-Máquina

A biotecnologia é passagem obrigatória para os avanços proporcionados pela singularidade. Uma variedade enorme de possibilidades surgem da possível fusão entre homem e máquina. Um exemplo já em desenvolvimento, é a criação de próteses biomecânicas avançadas que conferem aumento das habilidades humanas, como força e velocidade.

A forma como captamos e transmitimos conhecimento, também será afetada com a ampliação da eficiência do processo de aprendizagem. Se pudéssemos aliar o nosso cérebro com a capacidade de memória e processamento dos computadores, chegaríamos a um novo patamar de inteligência jamais alcançado. Esse ganho de inteligência possibilitaria a resolução dos grandes problemas da humanidade, como a descoberta de cura de doenças.

Computação

Como já comentamos, a capacidade de processamento dos computadores inteligentes dobra a cada 18 meses. Com a evolução tecnológica, esses mesmos computadores poderiam desenvolver outros processadores com capacidade cada vez maior, acelerando ainda mais a velocidade com que evoluem, passando de 18 meses para 9, e posteriormente para 4, e assim sucessivamente.

Está formado o ambiente propício para o aparecimento da singularidade. A velocidade no ganho da capacidade dos computadores proporciona um grande salto tecnológico em espaços de tempo cada vez menores. A computação quântica, objeto de um novo post que estou preparando, expande definitivamente os limites tecnológicos como conhecemos hoje, e podendo trazer uma nova era de aplicações e exponencialidade tecnológica nunca vista em toda história da humanidade.

Quando ela vai ocorrer?

Apesar do consenso sobre o seu surgimento, ainda não há consenso sobre quais seriam os agentes criadores da singularidade tecnológica. Como vimos nos tópicos anteriores, são muitos os fatores que nos permitem vislumbrar uma realidade tal como a singularidade tecnológica.

Alguns pesquisadores apostam no surgimento natural, fruto dos avanços tecnológicos cada vez rápidos. Outros, acreditam no desenvolvimento de supercomputadores dotados de grande inteligência como o principal fator propulsor a singularidade.

Um argumento a favor dessa visão afirma que avanços científicos mais significativos só poderiam ser realizados por uma inteligência superior à humana. Outros, apostam na integração homem-máquina como base para o surgimento de uma superinteligência. Críticos dessa crença dizem que a tecnologia necessária para integração biológica com máquinas é mais difícil de ser alcançada do que a inteligência artificial. Meu amigo e cientista Maurício Kritz, do Laboratório Nacional de Computação Científica, vem pesquisando e desenvolvendo modelos matemáticos e biológicos há mais de trinta anos que viabilizam esta integração. Muito esforço ainda precisa ser feito para a adoção massiva e aplicação desta tecnologia. Estamos trabalhando juntos em aplicações de IoT (inteligência das coisas) para manejo ambiental com base nestes modelos.

Dado a esses movimentos de divergência de opiniões sobre como se dará a singularidade, uma tentativa de estimar o momento do seu surgimento é muito difícil. Tentativas nesse sentido comparam diferentes índices para criar uma projeção. Anteriormente, citamos a lei de Moore que descreve a velocidade do aumento da capacidade dos computadores.

Essa lei, já está em vigor há mais de 30 anos e é a mais amplamente utilizada para os estudos sobre a singularidade. Sua fórmula estabelece a duplicação da capacidade tecnológica a cada 18 meses, enquanto os custos de produção se mantêm constantes.

Muitos outros índices são utilizados dentro do modelo que aposta na singularidade tecnológica o fruto do progresso natural da tecnologia. Alguns exemplos são o crescimento do número de artigos científicos, a ampliação da concorrência internacional e a quantidade de registro de patentes.

Apesar de a história da ciência demonstrar que o progresso tecnológico não é constante como uma linha reta infinita e exponencial, alguns pesquisadores apostam na singularidade entre os anos de 2025 a 2070.

Como apontado por autores como Kurzweil é importante reiterar que a hipótese do não surgimento de uma singularidade também é muito plausível, em razão da condição cognitiva humana não evoluir na mesma proporção que o desenvolvimento computacional.

Quanto devemos nos preocupar com a singularidade?

Em 2014, o famoso cientista Stephen Hawking declarou que teme o processo acelerado de desenvolvimento da inteligência artificial. Segundo ele, máquinas e programas se autodesenvolvendo à velocidade da luz causam um certo temor, uma vez que nós, seres humanos, somos totalmente limitados pela biologia.

Mas quanto desse medo é realmente fundamentado? Paul Allen, outro grande expoente do mercado tecnológico, e cofundador da Microsoft, publicou no MIT Technology Review uma série de argumentos que vão na contramão do consenso científico sobre o surgimento da singularidade.

No livro “Além da inteligência artificial: criando a consciência da máquina”, o autor John Storrs Hall defende que não precisamos ficar receosos com a presença robótica em nossa civilização, pois máquinas avançadas também seriam superiores a nós humanos não apenas em inteligência, mas também na ética. Ações como destruição e subjugação são próprios de seres humanos, não havendo base para afirmar que tais traços seriam compartilhados pelos robôs.

Mesmo que muitos cientistas apontem como certa o surgimento da singularidade, estaríamos realmente preparados para um evento dessa magnitude? Já pensou nas implicações de uma superinteligência na forma como nos relacionamos no trabalho e na sociedade? Mesmo que haja a tentativa de formular cenários preditivos, é impossível prever as mudanças desencadeadas por essa revolução.

Apesar de muitos se preocuparem com a iminência de uma era de singularidade e uma provável revolta das máquinas, dando início à destruição total da humanidade, essa parece ser, de longe, o problema menos urgente da inteligência artificial.

Existem muitos outros problemas que precisam ser levados em conta nessa discussão, como o impacto da automação do trabalho, a redução da liberdade etc. que até mesmo hoje, já começam a nos afetar direta ou indiretamente.

As possíveis consequências são enormes e transformam todo nosso modo de vida atual. Não devemos apenas nos vislumbrar com a ficção científica, ou mesmo com as previsões científicas sobre os benefícios e perigos da singularidade tecnológica. Por mais complexa e demasiadamente teórica que toda essa temática possa aparentar, é necessário que estejamos atentos e atualizados sobre o assunto.

O investimento nessa área, o desenvolvimento de tecnologia e o estudo de suas aplicações feitos pelos maiores especialistas do mundo não isenta os leigos e a população em geral de participar das discussões, pois não haverá pessoa que não seja afetada pela singularidade tecnológica, quando esta surgir. Este era o propósito deste post. Fui inspirado e provocado pelas frequentes perguntas sobre o tema e suas relações, ora formuladas por clientes da Aliger, amigos ou pelo público de minhas apresentações. Afinal de contas, na Aliger costumados dizer que um de nossos trabalhos é antecipar a ficção científica. Espero ter conseguido compartilhar as minhas ideias com mais detalhes do que nos momentos de tempo exíguo. Até breve.

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